PARKLETS

O parklet é uma espécie de “mini-parque” temporário implantado e mantido pela própria população sobre vagas de estacionamento na via, com o objetivo de propor novos usos para esses espaços e potencializar sua apropriação. As vagas de estacionamento são espaços públicos de utilização potencialmente privada já que um carro estacionado pode ocupar por longas horas – ou mesmo dias – uma área de cerca de 10m² que poderia, em muitos casos, ser mais bem utilizada para outras atividades que tragam maior vitalidade e diversidade ao espaço público.

O termo “parklet” foi usado pela primeira vez em São francisco, nos EUA, em 2005.  No Brasil, o conceito de parklet surge em São paulo, em 2012.  Em Belo horizonte, o decreto 15.896/2015 publicado no Diário Oficial da Município estabeleceu as regras e condições para a instalação desse tipo de mobiliário urbano no município.

Não há um projeto padrão e único para os parklets. Cada projeto pode e deve apresentar características próprias que permitam uma melhor adequação ao local de instalação, valorizando usos existentes e propondo novos. Todos os parklets são, entretanto, locais de uso público, abertos à utilização de qualquer pessoa, não podendo ser usado com exclusividade pelo seu mantenedor. 

Histórico

A ideia de ocupar espaços de estacionamento na rua com instalações temporárias e removíveis não é inteiramente nova. Um dos exemplos pioneiros aconteceu nos anos 1970 com instalações da artista estadunidense Bonnie Ora Sherk, batizadas de “Parques Portáteis”. Nos anos 1990, o arquiteto espanhol Santiago Cirugeda propôs “receitas urbanas” que os cidadãos podem seguir e adaptar para promover diretamente pequenas mudanças na cidade. Uma dessas receitas consiste na instalação de caçambas que, em vez de serem usadas para receber entulho de construção, fornecem suporte para instalação de elementos que permitem novos usos para o espaço (praça, playground, palco, canteiro etc.). Naquela época a ideia do parklet como mobiliário urbano ainda não existia, então o uso das caçambas foi uma tática para possibilitar o licenciamento desse tipo de intervenção. Outros exemplos de instalação vêm ocorrendo desde 1998 no contexto da campanha “Na cidade sem meu carro”. Criada originalmente na União Europeia, a campanha se espalhou por diversas cidades do mundo, com experiências inclusive e Vitória, onde as ações acontecem desde 2001.

O surgimento do parklet propriamente dito tem sido associado a uma intervenção específica do grupo Rebar ocorrida em São Francisco, Estados Unidos, em 2005. A intervenção durou apenas duas horas, mas deu origem ao conceito do Park(ing) Day, que ocorre anualmente no mundo todo em setembro, com instalações de até um dia de duração. À medida que a ideia foi se espalhando, prefeituras de algumas cidades do mundo – não somente San Francisco, mas também Los Angeles, Puebla, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória e Vila Velha, entre outras – passaram a incentivar instalações mais robustas e duradouras, que são tratadas como mobiliário urbano e licenciadas por até três anos, renováveis ao término do período.

(Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte)

 
 
Fonte: Receitas Urbanas
Fonte: Park(ing) Day
 
OBJETIVOS

Ampliar a oferta de espaços públicos

Cidades populosas apresentam uma carência de espaços públicos que realmente possam ser utilizados recreativamente pela população. Converter grandes áreas nos bairros centrais da cidade em praças e parques é muitas vezes inviável ou muito dispendioso. A redução de custos e facilidade de implantação são vantagens que viabilizam consideravelmente a existência dos parklets, devido ao seu tamanho relativamente pequeno, baixo custo de instalação e manutenção, natureza temporária da intervenção e pelas parcerias entre a prefeitura, comunidade e empresas privadas.

Promover convivência na rua

O desenvolvimento de espaços de convivência nas ruas para proporcionar aos cidadãos maior interação social com a sua comunidade é uma tendência mundial. Essa relação entre pessoas aumenta a segurança, incentiva o comércio local e produz bairros mais humanizados.

Estimular processos participativos

O parklet é um ato de cidadania. É muito importante que as pessoas participem ativamente da conquista, construção e manutenção dos mesmos, para que todos possam tirar o máximo proveito dos espaços públicos.

Incentivar transportes não motorizados

Os parklets são intervenções físicas no sistema viário, que discutem o espaço dedicado ao automóvel e aquele dedicado às pessoas. Ao mesmo tempo que o parklet restringe o estacionamento dos carros, ele permite o uso do espaço de forma democrática por pedestres, ciclistas, crianças e idosos. O acesso ao parklet é feito através da calçada, o que incentiva que o mesmo seja feito a pé, de bicicleta, skate e demais meios não motorizados.

Criar um novo cenário para as ruas

A construção de parklets vai permitir que a comunidade construa seu próprio espaço de convívio, resgate suas narrativas locais, inspirações, e criem novos cenários, melhorando a paisagem urbana e transformando espaços em lugares melhores para se viver... e conviver!

(Fonte: Manual de Parklets de São Paulo)

SAIBA MAIS
Perguntas Frequentes:

Quem pode solicitar um parklet?

Pessoas Físicas ou Jurídicas, de direito público ou privado.

Onde os parklets podem ser instalados?

Os parklets podem ser licenciados e instalados em locais onde já existem vagas de estacionamento comuns ou rotativas na via, com as seguintes condições:

- Obedecer distância mínima de 5 metros da esquina.

- Devem resguardar as condições de drenagem da via, não interrompendo o escoamento de água em sarjetas e não obstruindo bocas de lobo e poços de visita

- Não devem obstruir faixas de travessias de pedestres, rebaixos de meio-fio, acessos a garagens, ciclovias ou pistas de caminhada. 


- Não devem obstruir pontos de ônibus e táxi.

- Não devem obstruir acesso a hidrantes, caixas de acesso e manutenção.

- Devem ser preferencialmente implantados em áreas com maior intensidade de transito de pedestres, presença significativa de comércio e serviços e/ou grande densidade de moradias